“Tirei
Do coração uma sombra esquecida
Tirei
Jurei
Que nunca mais amaria na vida
E assim
Pensei
Que havia em mim um sentimento perdido
Não percebi o quanto estava iludido
E outra vez amei...”
- Aumenta mais o volume, por favor!
Carmem é uma mulher caseira em fevereiro. Fevereiro, este ano, carnaval, carnaval. Carmem é uma mulher caseira dedicada ao labor da costura, do bordado, do fevereiro, do carnaval, das fantasias, da bateria, da escola. Sentadas em um banco extenso estão Carmem e outras mulheres que em fevereiro são as mães operárias bordando passames em seda, ouro, prata, no morim, para o próximo sábado. Sábado em que Carmem e tantos outros vão se mostrar na avenida do samba, Samba. Talvez rainha da bateria, detentora da ala da bateria e as fantasias só estavam recebendo os retoques finais a fim de vestirem seus personagens.
- Jogou hoje, seu Tijuco?
- Joguei não, menino. Tô fazendo o castelo e num tenho tempo. Cê vai jogar, fala prá mim. Vai pra mim.
- Tou indo prá banca. Hoji dá macaco.
- Onti sonhei com uma sogra qui nem tenho, menino. Joga em qualquer número da cobra, menino. Tó. Leva uns dinheiros prá jogar na centena e na milhar PT, menino. Pega o qui deu onti. Si ganhei ti dou uns trocados.
Guerreiros de Dom João, excelentíssimo genitor do Imperador, calça em morim e algodãozinho, ornada com fitas e galões, e o símbolo do reinado português em prata e em ouro. A camisa com o mesmo motivo e um adorno de papelão para dar a intenção de um escudo. As perucas brancas foram substituídas por chapelões que, ao invés de ostentar o símbolo do império colonizador, grafava as iniciais da agremiação com franjas pequenas e borlas douradas.
As mulheres conversam, entre tantas coisas, do carnaval que está por vir; do ensaio desta noite na quadra da escola; do enredo contando a história da nação. Carmem fala que não sabe o que é alegoria, não entende bem este negócio de alegoria. A baiana lhe explica que o que é externo, o samba enredo é externo, o samba no pé é externo, o mestre-sala e a porta bandeira, externos, a comissão de frente, a bateria e tudo o mais, o que é externo deve penetrar no motivo da escola; como o ar que se respira: isto é a alegoria. Que deve haver a harmonia para que possamos penetrar os flancos do desfile, que devemos combinar a história a ser contada com tudo o que ali foi produzido, para se desfilar procurando a apoteose.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 comentários:
William...Shakespeare,
Madita mania - q a essa altura já deve ser sintoma de algo - q eu tenho de sempre ouvir "Shakespeare" qdo mentalmente pronuncio seu nome. Seja como for, dois grandes escritores. Aquele q tornou-se universalmente conhecido e apreciado, e q ñ teve a oportunidade desfrutar da banda-larga. E aquele q eu pessoalmente conheço e cujo trabalho literário eu aprendo a apreciar enqto oxido lentamente. O tempo realmente se encarrega de muitos ofícios. E, após tanto tempo, ler um William bem mais fluente e preciso, e ainda ñ menos desafiador em seu repúdio à idiotização globalizada dos valores individuais e culturais, dos sentimentos, da palavra e do pensamento, lê-lo e vê-lo assim, o mesmo William inquieto e inquietante de sempre, é assegurar-me de q estamos e podemos 'ir' muito mais além do q combinações binárias, do q Deus e o Diabo, do q Penha ou Lapa, do q o Bem e o Mal, enfim, do q eu ou vc venha conceder - ou sorrateiramente sugerir. Bem vindo finalmente à era da banalização global de banda-larga. Salve-nos.
Gerri.
Gostei muito.
bj
Postar um comentário