sábado, 20 de setembro de 2008

Poemas

PRÉ-SONO

Olho o neutro e nada
Espoca o crânio...
Surgem pontos negros, visionário
Uma dança muda a imagem
Sinfonia colorida, imagem do som.
Aspiração de fumaça
Fumaça parada que não se dissipa
No quarto, na visão
De ver neurônios fenecer sem formas
A se despedir do gozo.
Crise calada, cinérea
O corpo posto a dançar ilusões
Cansa a dança
Outro termo não há
Neutro, vago no imagético
Feito os tragos dados
Para se fugir do nada.
Nado eufêmico no cosmo da minha retina
Desesperado navego
Navega o inconsciente inconcebível
Até ir, devagar, para romper, e esquecer
E chegar, em fim, o sono.


O CRIMINOSO

Eles te procuram, não adianta se esconder
Fugir é balela, apenas te cansará
A tecnologia está a tua cata
Conhecem os teus vermes e micróbios.
Necessitam do teu corpo de cobaia
Precisam te matar pelo teu crime
De tentar invadir os campos sagrados do senhor
E bolinou a arma química
Não é permitido respirar o ar químico dos campos sagrados do senhor.

Você fala de Deus e todos sabem que Ele não existe
Vão arrancar a tua cabeça retrógrada
Que não consegue se adaptar, não consegue pensar o novo
Dizem que te criaram em laboratório
Um ser esquisito preso no espaço.

Você quer inventar o dinheiro e dominar o mundo com um capital
Então não tem jeito, bicho estranho!, ninguém precisa de você
O teu quociente de inteligência é pequeno
E o teu mundo não existe mais. A tua cabeça é cobaia.

Não te esqueça: o teu crime é imperdoável
Quando tentar fazer amor com as meninas na rua erma
Justamente agora que é renegada a superpopulação
O único sexo é o disgenético
Você vai morrer
Transgrediu o tempo da vida do outro,
Todos querem cem anos.

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