domingo, 8 de março de 2009

Homem, a partir de agora cometi o seu primeiro pecado e aos teus braços me entrego ao Mefistófeles moderno: gosto. Sabe, a gente precisa de um corpo de homem. Mulher também precisa se dar e não pode ser qualquer corpo, mas um desprendido das coisas boçais, porque depois vai ficar em mim o cheiro. O calor diabólico penetrando e nem sabia nome, nem conhecia a louca doçura do beijo, nem conhecia nada, nem falava palavrões. Não sei o seu nome, aquela pausa, reservei para te olhar e me esqueci de perguntar em que empresa trabalha, e se é capaz de cuidar de uma família, pois, já que vou levar o seu cheiro, então necessito saber o que você sabe rezar: a minha família sabe rezar tudo, é tradicional, mas agora eu não sei na-da. Sei que você veio insolente de lugar nenhum e vagabundo me salvou nesta rua Treze de Maio que venho pela primeira vez. As pessoas indo e vindo quando sempre acreditei que a vida terminasse às dez da noite. Confesso que estou zonza e em ti achei a minha lateralidade, o meu ponto de equilí-brio. Mas perco o meu eixo quando cruzo tantos olhares. Caí, sem nenhum propósito, caí e ao cair me deixei aos teus braços e encontrei um escape, um ladrão de mim, o meu ladrão, o meu porto esquecido. Não há estrelas que se possa ver sob a metrópole. As estrelas que vejo são as estrelas que crio, melhor assim. No escuro vi um brilho, era o dos seus olhos, uma atração humana. Criei Mefistófeles em ti, precisava de um diabo, de um inferno, precisava fugir do sagrado, do catolicismo, das o-bras canônicas, da religião. Gostei do sabor picante do inferno, era o gozo e me pus aturdida. Quero me deixar, sinto que quero me deixar, quero amar, pois amar é a minha única saída.

Nenhum comentário: